Pintura dividida em quatro partes que representam as quatro estações, emolduradas por uma pauta musical oval.

Queridos leitores,

A música é uma das formas de Arte mais antigas existentes na natureza e na vida humana. Desde o cantar de um bem-te-vi aos hits do Spotify, a complexidade da música, da melodia, vibração, som, ritmo e letra despertam sensações, sentimentos e memórias.

Eu sou uma pessoa que costuma associar memórias e lembranças às músicas devido ao sentimento que cada canção ou melodia me desperta. Quando escrevo um livro, gosto de ouvir músicas cuja melodia ou a letra me inspiram a imaginar como determinada cena aconteceria ou como a personagem escolhida agiria. Músicas carregam emoções.

Por isso, venho compartilhar com vocês uma experiência que nasceu de uma curiosidade e um exercício de imaginação: qual era a sensação e o sentimento de escutar algumas músicas clássicas, apenas os instrumentos em harmonia sem letra? Começando pelas Quatro Estações de Vivaldi.


Anotações sobre “As Quatro Estações” de Vivaldi

Categoria: música clássica

Versão: completa (42 min.)

Data: 10/10/2022 a 12/10/2022

“Primavera” (concerto n° 1 em E menor, RV269)

I. Allegro: alegre e leve, os violinos dançam agudos e a sonoridade é como a valsa de baile. É uma música conhecida popularmente e animada.

II. Largo: começa agudo no violino mas tenso e longo. A melodia permanece tensa mas vivaz com uma nota prolongada à beira da melancolia.

III. Allegro pastorale: é alegre mas mais calma e serena do que o I Allegro. A melodia é romântica e simples como o amanhecer.

“Verão” (concerto n° 2 em G menor, RV315)

I. Allegro non molto: soa como uma caminhada receosa, às vezes lenta, às vezes pausada, às vezes urgente, às vezes rápida. E séria em todas as melodias.

II. Adagio: o violino chora e lamenta tênue, interrompido pelo que soa como um sentimento abrupto de raiva ou um trovão por alguns segundos.

III. Presto: cheio de níveis e notas sincronizadas e sempre tensas, apressadas, urgentes. A sonoridade é cheia, recheada de nuances do mesmo movimento.

“Outono” (concerto n° 3 em F maior, RV239)

I. Allegro: soa como uma valsa de baile contida, contente e polida, educada e diplomática. Suas nuances permitem acelerar e descansar numa dança; Há uma pausa mais íntima, como para um flerte à dois quase no final, uma melodia de cumplicidade.

II. Adagio molto: ritmo constante com leves mudanças de escala, soa como um misto de melancolia e tristeza, com um toque tenso como se estivesse esperando por algo a qualquer momento (uma esperança no fundo).

III. Allegro: uma nova valsa mais cheia e composta do que a I Allegro, com mais sonoridade e instrumentos, mas elegante e polida, como uma melodia cerimonial educada e contente.

“Inverno” (concerto n°4 em 4 menor, RV297)

I. Allegro non molto: ritmo constante e urgente, com intervenções do violino como rabiscos brincando com a altura do som. Às vezes parece um duelo que começa polido e se torna tenso. É vivaz.

II. Largo: mais lento e severo, mantém uma sonoridade positiva ao fundo e às vezes esperançosa, polida e gentil, embora não tão vivaz como outras valsas. Passa segurança e tranquilidade.

III. Allegro, Lento: o violino soa perdido em pensamentos em direção a uma valsa tensa e inconstante de um convite incerto que no início soa perigoso, depois calmo e encerra urgente, tenso e ambíguo.

Considerações finais: cada concerto acompanha as estações como as fases da vida. A primavera soa vivaz, independente de ser alegre ou tensa. O outono soa polido e elegante. O inverso é tenso mas positivo e ambíguo na melodia. Já o verão é tenso e mais sério, abrupto.


Quando recordo dessas músicas e releio as anotações, sinto vontade de escrever uma nova história com as personagens e o enredo baseados nesses sentimentos. Pois a escrita, como toda forma de Arte, se conecta conosco por meio do sentimento que nos suscita.

E você, aceita esse desafio também?


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